Tesouro Direto: juro mínimo oferecido por prefixados bate 12,60%, menor valor em pouco mais de 30 dias

No primeiro dia da reunião do Comitê de Política de Monetária (Copom) que deve elevar a Selic para 13,75%, segundo aposta majoritária de economistas, o mercado de títulos públicos opera com movimento misto nas taxas na manhã desta terça-feira (2).

Papéis atrelados à inflação apresentam alta nos retornos reais, em sua maioria, enquanto títulos prefixados registram recuo nos juros.
O foco dos investidores está no exterior, com possível visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos a Taiwan, o que aumentou as tensões geopolíticas entre a China e os EUA. A presidente está em viagem por países asiáticos.

Taiwan é uma ilha a menos de 200 km da China que se separou há décadas do país e tem um governo independente, que é reconhecido como um país por várias nações, e Pequim tem feito oposição ferrenha à viagem.

Nesta terça-feira, Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, disse que os políticos norte-americanos que “brincam com fogo” na questão de Taiwan “não terão um bom fim”, de acordo com uma declaração do ministério.

O mercado também monitora hoje os números do relatório Jolts nos Estados Unidos, que antecedem os dados de emprego oficial (payroll), que será apresentado na sexta (5).

No Brasil, investidores também acompanham números da produção industrial, que recuou 0,4% em junho, após quatro meses seguidos de alta. O percentual veio abaixo do esperado pelo mercado.

No Tesouro Direto, às 9h20 de hoje, o piso oferecido pelos papéis prefixados era de 12,60%, abaixo dos 12,66% vistos na véspera. O retorno era pago pelo Tesouro Prefixado 2025. A última vez que o título tinha oferecido um juro parecido tinha sido em 27 de junho, no valor de 12,57%.

No mesmo horário, entre os papéis atrelados à inflação, apenas o Tesouro IPCA+2026 apresentava estabilidade nos juros reais, no valor de 5,85%, mesmo valor visto na véspera (1).

Os maiores avanços nas remunerações eram registrados pelo Tesouro IPCA+2035 e 2045, com os retornos reais subindo de 6,15% para 6,19%, na sessão de hoje.

Commodities
Na cena externa, os preços dos contratos de petróleo operam perto da estabilidade, por volta das 10h (horário de Brasília).

Investidores seguem preocupados com a demanda global por petróleo após dados fracos da indústria em vários países.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, incluindo a Rússia, conhecidos como OPEP +, reúne-se na quarta-feira (3) para decidir sobre a produção de setembro.
Produção industrial
O destaque da agenda local está nos números da produção industrial em junho, que recuou 0,4% na comparação mensal e 0,5% na base anual, segundo apresentou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio abaixo do consenso do mercado, que projetava uma queda de 0,3% tanto na comparação mensal quanto na anual, segundo a Refinitiv.

Com isso, o setor industrial ainda se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Entre as atividades pesquisadas pelo IBGE, as influências negativas mais importantes vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%).  Ambas interromperam os avanços de abril e maio, quando acumularam altas de 5,3% e 5,0%.

Orçamento 2023, teto de gastos e primeiro turno
Na cena política, o Ministério da Economia quebra a cabeça para fechar a proposta de Orçamento de 2023 com a previsão de um reajuste dos salários de todo o funcionalismo público federal. 

Uma das saídas em análise pelos técnicos é priorizar a reserva de recursos para o reajuste de carreiras de Estado com salários mais defasados em relação aos da iniciativa privada em vez de um aumento geral para todas as categorias, segundo apurou o jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo com a publicação, os técnicos acreditam que seria um erro conceder um reajuste para todos os servidores, embora algumas carreiras, entre elas as administrativas, estejam há quase cinco anos sem reajuste. Um ponto em discussão é que há servidores que ganham muito acima dos salários da iniciativa privada.

A dificuldade de encaixar tudo no orçamento também ajuda a aumentar os riscos de que o teto de gastos seja substituído no próximo mandato. A avaliação foi feita por analistas políticos consultados na 38ª edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney.

O levantamento, realizado nos dias 28 e 29 de julho, mostra que 92% dos especialistas entrevistados atribuem chance alta ou muito alta de o teto de gastos ficar pelo caminho a partir de 2023. Apenas um analista (8%) apontou risco baixo para a atual âncora fiscal.

Também na cena política, a investida do presidente Jair Bolsonaro (PL) com a aprovação da PEC dos Auxílios (PEC 15/2022) e possível recuperação nas pesquisas eleitorais levaram analistas políticos a reduzir a probabilidade de a corrida ao Palácio do Planalto ser resolvida de forma antecipada, no primeiro turno.

É o que mostra a 38ª edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney.  Segundo o levantamento, realizado nos dias 28 e 29 de julho, em um mês, caiu de 34% para 8% o grupo de especialistas que atribuem probabilidade alta de a corrida presidencial ser resolvida sem necessidade de segundo turno.

Ou seja, que um dos candidatos consiga somar 50% mais um voto entre os votos válidos (excluindo brancos e nulos) logo no dia 2 de outubro.

Fonte: InfoMoney | 02/08/2022

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